Chargeback: quadrilha fraudava cartões há três anos e prejuízo aos bancos pode ultrapassar R$ 4 milhões

Chargeback: quadrilha fraudava cartões há três anos e prejuízo aos bancos pode ultrapassar R$ 4 milhões

A organização criminosa alvo da Operação Chargeback, em Campo Grande, nesta terça-feira (20), atuava há três anos e o prejuízo as instituições financeiras pode ultrapassar os R$ 4 milhões. A operação é deflagrada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) desde o início da manhã, com apoio de diversas delegacias especializadas.

Em coletiva de imprensa na sede do Garras, o delegado Pedro Henrique Cunha revelou o modus operandi dos criminosos. Segundo ele, o grupo conseguia dados de cartões de créditos de terceiros, ora vítimas, ora participantes do crime na aferição de lucro. Também, obtinham cartões em nomes de laranjas.

“Com esses dados eles passavam nas ‘maquininhas’ pertencentes a um dos golpistas na empresa registrada em nome dele. Pediam, então, o adiantamento do valor junto a instituição financeira e quando eram cobrados para fazerem o pagamento, era constatada a fraude e eles sumiam. E como os dados eram de cartões, os titulares dos cartões pediam o estorno porque se passavam por golpe. Então, era feito o estorno e a instituição financeira acabava no prejuízo”, explicou Pedro Henrique.

 

Com esse modus operandi, a quadrilha atuava desde 2023. Diferente do informado anteriormente, o prejuízo causado aos bancos pode ultrapassar os R$ 4 milhões, conforme afirmou o delegado do Garras. Os investigados também tiveram R$ 2 milhões bloqueados judicialmente de suas contas durante a operação.

Delegado Pedro Henrique Cunha durante coletiva de imprensa. (Pietra Dorneles, Midiamax)

Perfil dos criminosos

Pedro Henrique Cunha também detalhou durante coletiva de imprensa o perfil dos investigados. Conforme o delegado, os criminosos têm entre 25 e 35 anos, alguns com antecedentes criminais e outros sem passagens.

“Outros têm passagens por vários crimes graves, roubo, furto, tráfico e agiotagem. Percebe-se muito ultimamente que as pessoas que cometiam crimes mais violentos migraram para os crimes digitais por conta da pena menor e dificuldade da investigação”, pontuou o delegado.

Os criminosos alvos da Operação Chargeback nesta terça-feira (20) são investigados por lavagem de capitais, fraude eletrônica, associação criminosa, posse ilegal de arma de fogo e ocultação de bens.

Delegado detalhou o modus operandi e perfil dos criminosos. (Pietra Dorneles, Midiamax)

Operação Chargeback

Cinco pessoas foram presas durante a operação, sendo quatro temporariamente e um preso em flagrante com uma pistola Glock — arma de uso restrito e com a numeração raspada. O flagrante aconteceu quando o homem estava em uma residência, cujo alvo seria o antigo morador.

Além das prisões, 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela especializada. Durante os mandados, os policiais apreenderam a pistola Glock; um carregador de pistola prolongado; aproximadamente 100 munições de arma de fogo, calibre 9mm; oito máquinas de cartão de crédito; aproximadamente 40 cartões de créditos em nome de indivíduos diversos; um veículo importado; aparelhos celulares; computadores, entre outros objetos.

Equipes da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), Defurv (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos), Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos) e DHPP (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio e de Proteção à Pessoa) prestam apoio aos policiais na operação.

“Chargeback” significa a contestação de uma compra feita com cartão de crédito ou débito pelo titular junto ao seu banco, resultando na reversão do pagamento, geralmente por fraude.

Várias equipes de outras delegacias especializadas deram apoio a operação nesta terça-feira. (Reprodução, Polícia Civil)

 

https://midiamax.com.br/policia/2026/chargeback-quadrilha-fraudava-cartoes-ha-tres-anos-prejuizo-bancos-pode-ultrapassar-r-4-milhoes/